segunda-feira, 8 de abril de 2013

«dos fracos, não reza a História...»


 


caríssimo,

mais uma vez, peço emprestado o refrão de um clássico dos saudosos Heróis do Mar - que, ao que consta e se confirma, irão regressar, em Novembro deste ano, para um concerto único (nesse duplo sentido da expressão).
e peço-o pois foi o que afirmou o Afonso - lembram-se dele? - a vinte minutos do final da partida desta noite, ante os (muito pouco) "gverreiros do Minho". explico, do início.

esta noite estive para estar junto de alguns de vós, no nosso teatro de sonhos azuis-e-brancos, e assim assistir «ao vivo e a cores», ao embate do meu clube de Sempre perante os tais "gverreiros", e na companhia desse puto com doze anos de idade, mas que percebe muito de Futebol para a sua (proveta) idade. 
acontece que o Guilherme teve consulta de pediatria exactamente à mesma hora do início da partida (a consulta já estava marcada há mais de três meses...) - pelo que os pais do Afonso nos convidaram a ir (tele)visionar o jogo a sua casa. tendo em linha de conta as consultas passadas, pensei para com os botões da minha camisa: "já fostes, pá! nem vais (sequer!) conseguir ver a segunda parte..."
mas, para surpresa minha, das funcionárias da clínica e do próprio pediatra, esta Segunda-feira esteve demasiado calma. foi, de facto, um encontro que prendeu bem mais do que os adeptos dos dois clubes em disputa - pelo que não apanhei muito trânsito, inclusive na estrada.
"ainda há esperança!", pensei para comigo assim que o Guilherme estava despachado - passavam somente vinte minutos das 20h (!!!).

acontece que, quando cheguei a casa do Afonso, a Esperança era um conceito ténue.
faltavam três minutos para o intervalo da partida; estávamos empatados a uma bola, mas estivemos a perder - com o SC Braga a ameaçar por duas vezes antes do golo, obtido após (mais) um inacreditável desacerto defensivo (em setenta e nove presenças no escalão maior do nosso futebol comezinho, coube ao Alan a "proeza" de ter marcado o duo-milésimo golo ao FC Porto). felizmente que o James engatou um autêntico "milhete", que o Quim só conseguiu defender depois da chichinha ter beijado as malhas da baliza à sua guarda...
portanto, as linhas que se seguem baseiam-se no que pude ver dos segundos 45' da partida.

e tal como num passado recente, pese embora a percentagem de posse de bola abissal para um adversário que se limitou a defender com linhas baixas, na expectativa de aproveitar (mais) um erro defensivo e que esporadicamente encetava um remate à baliza de Helton, o nosso FC Porto foi uma equipa atabalhoada, sem saber o que fazer à bola.
bem sei que muitos dos que se deslocaram ao Estádio do Dragão não ajudaram a que a nossa equipa do coração conseguisse encontrar, nalguns sectores das bancadas do seu reduto, a Força necessária para desbloquear o jogo ultra-defensivo dos bracarenses e almejasse o tão desejado golo - e já lá vamos a esse típico comportamento mesquinho e que muito abomino. mas que caramba! houve momentos em que os jogadores azuis-e-brancos pareciam um conjunto de jogadores que se reuniram para um convívio entre solteiros e casados! será que a bola "já começa a queimar"? a que propósito é que "queima"? ainda é muito cedo para se atirar a toalha ao chão, porra!

felizmente para todos nós (seremos mesmo todos a acreditar que a revalidação do título é possível?) que esta noite houve Kelvin - o "ás de trunfo" lançado por Vítor Pereira. 
o bruuáá que se seguiu ao segundo golo foi indicador de que o pior já estava posto para trás das costas - ao que se seguiu um segundo bruuáá ainda maior, com aquele golaço (o terceiro do FC Porto, o segundo do puto brasileiro)
o contentamento em casa do Afonso foi indescritível - mas em muito semelhante ao que se viveu no Dragão, como que num prolongamento dos indefectíveis que ainda acreditam que é possível.
daí que a afirmação do puto maravilha - «dos fracos, não reza a História» - faça todo o sentido: não só porque nos colocámos "a jeito" para complicar uma situação já de si complicada (pois que já não dependemos só de nós), mas também porque as vozes críticas são mais do que muitas. e é sobre estas e para essas, que irei dedicar o próximo parágrafo - o qual será curto e grosso.

caríssima(o):

tenho para mim que é nos momentos de maior aflição que sabemos com quem podemos contar.
a Vida - essa madrasta! - tem-me ensinado bastante, sobretudo em saber escolher melhor as minhas amizades. é que, apesar do clichê, a frase feita faz mesmo todo o sentido: "os Amigos são para todas as ocasiões" - sobretudo para as más (que é quando mais necessitamos de um ombro carinhoso e de palavras de apoio).

assim e para as cinco jornadas que faltam deste campeonato, se a tua atitude para aqueles que são os meus heróis, os quais envergam o manto sagrado com as cores do meu clube do coração (de sempre e para sempre), for a de invectivá-los e/ou insultá-los e/ou assobiá-los ao primeiro passe errado e/ou jogada perdida e/ou golo iminente falhado:
é pá!, tem lá a santa paciência e fica em casa.
não vás ao Estádio para te chatear e sobretudo aborrecer quem está interessado em ser mais do que o décimo segundo jogador!
para esse tipo de "apoio" já bastam os adeptos do clube adversário...


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Dos fracos, não reza a história
Cantemos alta nossa vitória...
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sugestão musical:  
Heróis do Mar, «brava dança dos heróis»


somos Porto!, car@go!  
«este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!


beijinhos e abraços sempre, mas sempre!, muito portistas!
Muito Obrigado! pela tua visita :)



5 comentários:

  1. Boas Miguel,

    Antes de mais esperava que o Braga fosse fiel aos seu principios e viesse jogar o jogo "olhos nos olhos", no entanto foi ao Dragão com um autocarro, defendendo e tentando jogar no contra-ataque, como jogam as equipas que lutam para não descer.
    Por isso o FCP teve muitas dificuldades em entrar com bola junto da area do adversário.
    Penso que o FCP fez uma boa primeira parte com boas trocas de bola e com objectividade, que resultou no golo do empate. No entanto na segunda parte, e graças ao anti-jogo do Braga o jogo deixou de ter espectáculo e tornou-se desagradável, até que Kelvin desbloqueou com um golo pleno de intencionalidade. A partir daí o FCP soltou-se e fez aquilo que bem sabe jogou a Barça concluindo com mais um golo do Joker Kelvin.
    O Porto foi premiado por acreditar e o Braga penalizado por jogar ultra defensivamente.

    Um abraço

    http://fcportonoticias-dodragao.blogspot.pt/

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  2. Pressionado pela vitória do clube do regime em Olhão e frente a um Braga que se apresentou no Dragão com o objectivo apenas de pontuar, jogando no estádio do F.C.Porto como joga uma equipa das ditas pequenas e que lutam apenas para não descer; dando um golo de avanço e criando com isso um acréscimo de nervosismo de se estendeu até às bancadas; o jogo de hoje, pelo importância e pela forma como decorreu, foi um teste ao carácter e à crença do conjunto azul e branco. E como conclusão, podemos dizer que se for sempre assim, se o espírito nos próximos jogos for o mesmo, é um óptimo sinal, sinal que os profissionais do F.C.Porto acreditam tanto como os adeptos e assim, vamos ter campeonato até ao fim.

    Os treinadores andam sempre lado a lado com o bestial e a besta. Ontem Vítor Pereira foi bestial.

    Abraço

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  3. Vitória justa e certa frente a um adversário decepcionante que jogou tudo no erro alheio, que até aconteceu por várias vezes.

    O actual FC Porto carrega sobre os ombros a responsabilidade de não ter qualquer margem de erro, numa altura em que vem denotando desgaste físico, psicológico e anímico, com as peças nucleares em sub-rendimento e por isso com um futebol lento, previsível e fácil de anular.

    Valeu o carácter de alguns jogadores que tentaram remar contra a maré e a irreverência misturada com alguma sorte dos jovens Atsu e Kelvin, que entraram e mexeram com o jogo.

    Não me iludo. A jogar desta forma vai ser muito difícil revalidar o título.

    Um abraço

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  4. Caro Miguel,
    Antes de mais, concordo plenamente com o seu último parágrafo.

    E posto isto ...
    Foi uma importante vitória num jogo em que se esperava que fosse de grau de dificuldade considerável. Mas com paciência o FC Porto usou da melhor maneira
    as suas “armas” de forma a conquistar uma vitória que lhe permite continuar na perseguição da liderança. Eu gostei do jogo, mais da segunda parte do que
    da primeira, ainda que me pareça que a primeira parte não foi má. Não é de todo o melhor dos cenários ter de correr atrás do prejuízo causado por uma desvantagem,
    contudo o facto do empate ter chegado antes do intervalo fez com que a motivação crescesse. Muito bem James a igualar o marcador. Vítor Pereira acertou
    em cheio ao colocar Kelvin em campo – o brasileiro sai deste jogo com uma grande bomba de motivação. Que dizer mais? Foi uma vitória completamente justa
    e incontestável, frente a um adversário que não é fácil.

    Cumprimentos

    Ana Andrade

    www.portistaacemporcento.blogspot.com

    www.artigosonlineanaandrade.blogspot.com

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  5. caríssima Ana, caríssimos,

    muito obrigado! pela vossa visita e pelas vossas palavras

    no fundamental:
    penso que ganhámos todos com a exibição ante o Braga - sobretudo os lampiões (e o seu enorme melão :D ).

    somos Porto!, car@go!
    «este é o nosso destino»: «a vencer desde 1893»!

    abr@ços a «ambos os quatro»
    Miguel | Tomo II

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(sendo que, num blogue de 'um portista indefectível', obviamente que esta caixa é destinada preferencialmente a 'portistas dos quatro costados'. e até é certo que o "lápis", quando existe, é azul.)

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