© abola
ex.mo senhor
Vítor Serpa,
(director do "jornal" A Bola, (dito) «a bíblia do desporto»)
o meu nome é Miguel L. e sou um fervoroso adepto do Futebol Clube do Porto.
na defesa intransigente dos interesses do meu clube do coração desde que me conheço (pertenço à colheita de 1975...), sou administrador de um blogue afecto a tal causa, desde Julho de 2008, o qual já vai na sua segunda edição e possui um razoável número de visitas diárias (cerca de meio milhar por dia).
é um número que em nada se compara, por exemplo, a outros sítios de referência nesse "maravilhoso mundo que é a bluegosfera"®, ou até à página on line do seu "jornal", mas que me deixam orgulhoso.
por diversos
motivos, desde aquela data, sou um "fiel" leitor do "jornal" que V. Exa. dirige, e sigo os seus editoriais com particular interesse, dispensado-me a comentá-los naquele espaço de discussão pública e sempre que a Razão assim me assiste.
vai-me desculpar o
aparte, mas
o motivo principal por que adquiro as edições impressas do "jornal" que dirige e quase diariamente, é por o considerar o órgão de comunicação mais do que oficioso de um clube (dito) «glorioso», para os lados da Segunda Circular - e ao contrário
do que V. Exa. defende, (pelo menos) desde Janeiro de 2008, pelo que o
cito:
«
acontece que, por
razões relacionadas com a estratégia dos clubes e, portanto, com a
segmentação do mercado, existem contactos preferenciais e isso torna-se
visível com alguma consonância entre clubes e jornais. não será por
acaso que existem três grandes clubes e três diários desportivos...
de
qualquer forma, não é correcto conotar ABOLA com o sl benfica. no período
da direcção de Vale e Azevedo, as relações eram mesmo muito difíceis e
havia um alinhamento preferencial com o RECORD.
ou seja:
tem havido
vários ciclos em que, por exemplo, já tivemos óptimas relações com o
FC Porto. no caso deste clube, há uma proximidade estratégica relativamente
a OJOGO, menos propiciada pelo jornal do que pelo regionalismo em que o
clube também aposta.
no que se refere ao sl benfica e embora sejamos cada
vez mais um jornal nacional, temos presente o factor mercado: uma
vitória do sl benfica num jogo importante pode aumentar as vendas em 40% ou
mesmo mais.
quanto à imprensa generalista, identifico apenas alguma
proximidade do PÚBLICO face ao FC Porto - talvez pelo facto de boa parte da
equipa jornalística estar sediada a Norte...
tudo ponderado, estamos,
mesmo assim, muito distantes - para melhor! -, do sectarismo que existe em
Espanha.
»
ps: os negritos, os itálicos e os sublinhados são da minha responsabilidade.
assim sendo e por o (com)provar em cada edição que adquiro e no que ao quotidiano azul-e-branco diz respeito, vejo-me na contingência de rebater o teor de muitas das "notícias" e dos artigos de opinião nele difundidos à saciedade, por, na sua larga maioria e no meu entendimento, subverterem a realidade afecta ao meu clube de sempre e para todo o Sempre.
o seu editorial "Final da Liga em aventuras", publicado na edição de ontem, 13 de Maio do corrente ano civil, não foi excepção. e mereceu a minha melhor atenção, mormente a seguinte passagem:
«
[...]
e foi assim que caiu o pano sobre a Liga 2011/2012.
foi um ano mau: um campeão fraco, sem grandes atributos; demasiados casos e suspeições; o mundo da arbitragem fustigado e a isolar-se nos "claustros" do "mosteiro" da sua ordem silenciosa; um ror de clubes devedores de ordenados e de outras orbrigações; e, para cúmulo dos cúmulos, aquela deplorável imagem final do UD Leiria a jogar com oito atletas, depois de uma rescisão colectiva de jogadores em revolta.
bem sabemos que estamos em crise; mas dá a ideia de que pior do que foi esta época será impossível! espera-se, pois, que o Futebol Português tenha mesmo batido no fundo e que, a partir de agora, seja só a melhorar e a crescer... contra os maus desígnios da troika...
»
bem sei que se trata de Futebol. e que, na nossa Sociedade, há problemas bem "maiores", mais graves e a merecer a devida consideração por parte das nossas entidades (in)competentes, do que o que a seguir exporei. mas foi este excerto que despoletou esta minha intenção em lhe enviar esta mensagem.
confesso que estou farto de que o "jornal" que V. Exa. dirige e os "jornalistas" que nele trabalham estejam repetidamente a fazer passar a mensagem de que o Campeão Nacional do campeonato ora findo - o Futebol Clube do Porto - não o tenha sido por mérito próprio.
não o poderá negar e tendo em consideração a linha editorial dos últimos quinze dias: desde a famosa última entrevista a Jorge Jesus, passando pela entrevista a João Gabriel e terminando nos seus dois últimos editoriais, ABOLA difunde a mensagem que os dirigentes encarnados pretendem que seja verdade - i.e., que o FC Porto foi um campeão sem qualquer mérito, principalmente desportivo, fruto de arbitragens menos conseguidas (sobretudo desde que aquele clube (dito) «glorioso» esbanjou os cinco pontos de vantagem que tinha para nós).
que eu saiba - e ainda ninguém o foi capaz de demonstrar o contrário -, um campeonato nacional de futebol é uma prova de regularidade - na nossa realidade nacional, de trinta jornadas.
socorrendo-me deste lugar-comum, o campeão é encontrado no somatório do máximo de pontos que conseguir no decurso daquelas jornadas.
na Liga 2011/2012, coube ao FC Porto obter setenta e cinco pontos contra os sessenta e nove do segundo classificado - fruto de vinte e três vitórias, seis empates e apenas uma derrota.
se os outros clubes não o almejaram, porquê a sua indignação e o seu repúdio? que eu saiba, as "notas artísticas" (ainda) não contribuem para aquela classificação, e por muito «catedráticos» que se afigurem os treinadores em serviço e assim o (in)tentem...
para finalizar este meu desabafo, informo-o que não compartilho dos seus votos finais, expressos no último parágrafo do editorial em causa, no sentido em que, se tal vier a acontecer, será sinónimo de que o meu FC Porto não se sagrou tricampeão nacional - pela terceira vez no seu rico e vasto palmarés desportivo, o qual deveria encher de orgulho Portugal mas infelizmente é alvo de muita inveja (daquela dita «gloriosa» e que consta em "Os Lusíadas", no último verso, da última estrofe, da última quadra, do último canto).
de V. Exa.,
saudações desportivas mas sempre pentacampeãs!
Miguel
| Tomo II
ps:
imagem que considerei inserir no e-mail: