caríssima(o),
ao contrário dos outros dias desta semana - de inscrição nos Exames Nacionais -, consegui sair à minha hora da labuta. nem mais um minuto para além do combinado e logo no último dia de inscrições - principalmente porque meia hora antes de os serviços administrativos fecharem as suas portas ao atendimento ao publicozinho, já só se ouvia o respirar inquietante (e algo nervoso e apreensivo) deste que vos escreve. sempre era dia de Clássico no nosso actual salão de festas (mais do que) oficial lá para os lados da Segunda Circular. ;)
com carta branca concedida pela esposa para poder ir assistir ao clássico no Estádio da Lucy na companhia de Amigos de longa data, num restaurante bem no centro da InBicta e afamado pelas suas francesinhas, o meu espírito estava agitado por tal reencontro - mas mantinha-se nervoso.
à chegada dos primeiros convivas, um dos temas dominantes era qual seria o onze principal escalado pelo nosso (ainda) treinador principal. uma ideia reinava: que não repetisse a invenção da lateralização do Maicon e que concedesse a ala esquerda ao Cebola - «para partir o Maxi todo, car@[ças]! e oferecer um golo àqueles filhos de uma g'anda [meretriz]!», como alguém aventou.
cinco minutos antes do encontro principiar e com uma mesa (bem) composta, um de vós liga-me directamente da Figueira da Foz e a propósito das escolhas do nosso (ainda) treinador principal para o onze principal. «assim não! assim não vamos lá! invenções a mais... e ai de ti se colocas o Djalma a bold com cor azul!», confidencia-me resignado. «confiança!, J.», e afianço-lhe, entre tímidos (e nervosos) sorrisos Amigos, que não somos os únicos a partilhar deste receio inicial; há mais quem o expire nas mesas vizinhas.
só que, com aquele incrível início de jogo da turma azul-e-branca, foi-nos permitido voar e sonhar de que afinal seria possível tocar o céu no mesmo recinto que já foi apelidado de «inferno da Luz» e agora mais parece o nosso «glorioso» salão de festas. foram (quase) vinte minutos de alto nível, com um futebol de Qualidade e de uma garra e de uma entregas à partida, que superaram (largamente) as minhas expectativas.
porém - e há sempre um mas... -, a partir do minuto 24' e da primeira perdida flagrante do "Cagozo", lá voltou aquele futebol sensaborão que tanto tem marcado (pela negativa) a época em curso. e lá regressaram as aflições defensivas. e também a inevitável quebra do meio-campo portista (que mais parecia um "passador"). e (claro!) o sofrer o golo de uma praxis que (há muito) já deixou de ter piada - depois de um péssimo alívio da nossa defensiva.
a euforia que se (pres)sentia esmoreceu, como um estalo na cara com que não se conta.
o pior - bem pior, diga-se de passagem! - foi o autêntico murro no estômago que levei/levámos decorridos apenas dois minutos depois do reatamento da partida e após a invenção de uma falta (que não existiu) por esse sr. do apito que o Orelhas já não quer ver a cirandar no mesmo relvado onde também por lá anda o Djaló, segundo rezam as crónicas.
não me contive e invectivei (de forma áspera, acintosa e rude) a defesa do meu FC Porto pela enésima vez (e depois de um início de jogo tão prometedor) e por tamanha ineficácia. se já estava nervoso antes do encontro, não fiquei muito melhor.
e a francesinha arrefecia num prato cujo molho já não tinha sabor e as batatas fritas estavam tão ou mais frias do que o meu estado de espírito. razão tem a C., do (estupendamente brilhante e apaixonadamente bem redigido e sentido) "lá em casa mando eu" quando afirma que «Eu não como [...] durante o jogo porque normalmente estou a ver o jogo e não passa nada na minha garganta».
confesso que a minha ténue esperança numa reviravolta no marcador esmoreceu quase por completo ao minuto 59', com a saída de Rolando, a entrada de James "el bandido" Rodríguez, a passagem de Maicon para central e a permanência em campo do (amarelado) Djalma.
foi a gota de água que fez transbordar o copo com quase água nenhuma! - meu e de quase todos os adeptos portistas que estavam, não só na nossa mesa, como nas vizinhas. e foi o minuto em que pude perceber os sorrisos cínicos dos poucos adeptos lampiões presentes no mesmo espaço.
«[fónix], J.! estás a ver o jogo? não?! em trabalho? pois... o gajo acabou de fazer entrar o bandido por troca com o Rolando; deslocou o Maicon para central e deixou o Djalma em campo!! pormenor: já estamos a perder. abr@ço».
no decurso do dia de hoje nunca pensei que poderia vir a ter tal ataque de fúria para com o treinador principal da minha equipa do coração; mas a verdade é que o tive, com uma lágrima de raiva a escorrer pela face. a noite não podia estar mais negra e o meu estado de espírito mais desanimado.
«porra!! car@[ças]!! perder com estes filhos de uma g'anda [meretriz] é que não, car@[ças]!! [fónix] para isto!! estou cansado deste gajo e das suas invenções em nexo, porra!!».
depois, bem... depois veio o minuto 63' e o golaço do James.
e, como que de rajada - qual Rocky a recuperar de uma tareia que parecia sem fim* -, as recorrentes lampiónicas picardias; a expulsão daquele que nem fez por isso durante os minutos que esteve em campo (ao contrário do caceteiro espanhol, do bruto brasileiro e do porquito paraguaio); a sonegação de mais um penalty (de frente para o lance e pela forma descarada como o "Cagozo" embalou a redondinha, Pedro Proença (com)provou que está numa forma soberba para o Europeu que se avizinha); e a imensa alegria por mais um golo de Maicon, que nos daria a vitória final e na qual estava descrente - e estou pouco me marimbando se o Maicon estava fora-de-jogo no lance em causa; foi a forma sublime de (pelo menos) seis milhões «gloriosos» adeptos da agremiação de Carnide provarem do veneno que têm destilado nalguns jogos da presente campanha.
ou seja:
estou um sininho!
ainda me sinto a flutuar sobre as nuvens (e já lá vão algumas horas desde que o encontro finalizou)! e sei que terei um soninho bem tranquilo!
portanto, para finalizar e antes das despedidas, permite-me que enderece os meus sinceros parabéns a alguém muito particular e por me ter colocado um sorriso de orelha a orelha esta noite (e nas que se seguirão).
sabes (muito) bem o sentimento que nutro por ti enquanto timoneiro-mor do nosso clube do coração; não o escondo desde Outubro do ano passado. e se, desde então, tenho sido lesto a criticar-te (mesmo que com tentativas de que seja por um lado positivo, apesar da paixão de adepto indefectível que sofre com um Amor comum), hoje quero ser ainda mais rápido a dar os meus (sinceros)
parabéns a ti, Vítor!
se há algo que não sou é ingrato.
assim e com o resultado desta noite, reconheço que muita da minha alegria - que também é a tua e a de quem vibra com o FC Porto - se deve a ti e ao enorme par de tintins que tens. operar aquela substituição efectiva e comprovadamente deu a volta ao jogo e a nosso favor. e a teu favor também, junto da exigente massa adepta portista.
certamente que não passaste a ser um génio da táctica e que o futebol praticado pela nossa equipa passou a ser de "primeira água"; mas conseguiste (i) destronar alguém que se intitula de «catedrático» no seu próprio reduto e (ii) colocar um enorme melão em muitos daqueles que já vaticinavam um 5lb campeão, com direito a rotundas reserBadas e afins. e estes dois factos consumados têm que ser destacados, por serem tão meritórios.
por último, Vítor e pese embora as nossas divergências (que sempre existirão, como já o terás depreendido das minhas palavras escritas a 20 de Outubro de 2011), "digo-te", do fundo do meu coração:
goza bem e saboreia ainda melhor este momento, Vítor!
tu mereces e fizeste (tudo!) por merecê-lo!
* vês, Gu, como consegui encaixar o Sly no post sobre o rescaldo do Clássico? ;)
beijinhos e abraços (extasiados)!
e Muito Obrigado! pela tua visita :)





